Decorreu no dia 31 de Outubro no Aeródromo Municipal de Viseu, no Hangar do GPIAA a Palestra GPIAA/APAU. Apesar de estar previsto um FlyIn para este evento a APAU aconselhou os pilotos a não irem pelo ar face às previsões meteorológicas que se adivinhavam e deslocarem-se por terra em Segurança. 

Estiveram presentes cerca de 80 pessoas que foram recebidas pelo nosso Presidente Paulo Cunha pelo Director do GPIAA, Dr. Álvaro Neves. Estiveram também presentes os Vice-presidente da Câmara Municipal de Viseu, o Director do Aeródromo Gonçalves Lobato e ainda o Presidente do Aeroclube de Viseu.
A Palestra começou com a apresentação do Director do GPIAA, Dr. Álvaro Neves onde salientou a cooperação com a APAU e sua direcção. Enumerou alguns dos problemas que a comunidade ultraleve deve ultrapassar face aos recentes e marcantes acidentes com aeronaves ultraleves.
Mostrou a inteira disponibilidade e abertura para nos fóruns certos e ou em contacto directo com a instituição, auscultar e discutir assuntos e matérias relevantes como aliás o tem feito ultimamente em encontros com a direcção APAU no âmbito da segurança aérea desta comunidade.
Acerca da reunião dos GPIAA Europeus ventilou a intenção dos Países Europeus em retirar da sua alçada este tipo de aeronaves por ter um investimento humano e financeiro grande face à resposta que a comunidade ultraleve tem em termos de segurança.
Seguiu-se a intervenção do nosso Presidente Paulo Cunha que iniciou dizendo que a saúde da APAU estava boa e recomendava-se. Começou por enumerar o trabalho que a APAU tem vindo a desenvolver desde que tomou posse e que referiu o protocolo de colaboração existente com o GPIAA no que diz respeito à ajuda à investigação de acidentes e essencialmente na prevenção, com um árduo trabalho conjunto em encontrar soluções para a segurança dos ULM e sua comunidade.
Agradeceu de seguida ao conjunto de ex-Presidentes APAU pela colaboração e apoio nos vários encontros para encontrar soluções a apresentar brevemente ao GPIAA relacionado com os recentes acontecimentos fatais.
Terminou esta Palestra por volta das 13:00 tendo o nosso Presidente convidado todos os presentes para o almoço servido no Hangar do Aeroclube de Viseu.

 

Aqui se transcreve o discurso do Presidente Paulo Cunha.

 

"PALESTRA GPIAA/APAU

Hangar GPIAA – Aeródromo Municipal de Viseu

31 de Outubro de 2015

A principal contribuição da investigação dos incidentes/acidentes ao longo do tempo, ensina nos que o comportamento humano, e, consequentemente o erro humano, não acontece em um “vaccum social”, fortalecendo a ideia de que as iniciativas voltadas para os aspectos da segurança, não devem focar exclusivamente os indivíduos, ou seja, os pilotos, ao contrario, deveriam buscar a organização num todo.

A segurança deixa de ser um fim, e passa a ser um meio de se alcançar os objectivos.

Psicologia Cognitiva e Comportamentalismo, como ciência medica, no contexto da aviação, deve ser encarada, como uma mais valia na formação do grupo e do indivíduo. A” teoria de campo”, cuja proposição básica, é que o comportamento humano é função do indivíduo, e do seu ambiente.

A comunidade constitui o terreno sobre o qual o indivíduo se mantém.

A comunidade é para o indivíduo um instrumento.

A comunidade é uma realidade da qual o indivíduo faz parte, mesmo aqueles que se sentem ignorados, isolados ou rejeitados.

A comunidade é para o indivíduo o seu espaço vital.

“Condições latentes” são factores que estão silenciosamente presentes no seio da comunidade, mas que, eventualmente, se combinam com circunstancias locais e falhas activas (erros e violações) cometidas pelos operadores e que acabam por romper todos os mecanismos de defesa e ocasionar o incidente/acidente.

Com base em Dekker (2003), a criminalização do erro não reabilita nem torna o ser humano mais eficaz e seguro. Os acidentes aéreos são raramente o resultado de falhas de indivíduos, mas sim produtos de sequências de falhas do sistema.

A partir do momento em que os seres humanos passam a ser o centro da segurança na aviação, a qualidade, a capacidade, a atitude, a percepção e o treino do pessoal devem ser considerados elementos imprescindíveis e prioritários.

O elemento humano afigura-se como sendo é o elo mais fraco de todo o sistema aeronáutico, pois é o mais vulnerável a influências que podem afectar negativamente a sua performance. Em contrapartida, é também o elemento mais flexível, adaptável e valioso desse sistema.

O termo “Factores Humanos” não é sinónimo e significa mais do que “erro humano”, pois abrange também todos os factores externos que podem se associar às limitações humanas, e que posteriormente podem levar ao erro humano. Portanto, mais do que saber “onde” (o erro humano) ocorre, os factores humanos podem fornecer a resposta para o “porquê” do erro humano na aviação.

Quando se fala de Risco em Aeronáutica implicitamente vêm à luz os conceitos de Factor Humano e de Erro Humano. Conforme Reason (2006), os problemas de performance humana dominam os riscos em indústrias onde há a probabilidade de falhas catastróficas – como é o caso da aviação. Por a Aeronáutica ser uma dessas indústrias, e pela predisposição humana para errar, o Homem acaba por ser o principal agente responsável pela existência de situações de risco e consequentemente de acidentes em actividades aeronáuticas.

De facto, ao longo da história da aviação a maioria dos incidentes e acidentes envolvendo aeronaves civis têm tido como causa primária o erro humano, seguindo-se as condições climatéricas adversas.

Torna-se clara que a inobservância e desconhecimento dos limites humanos, tanto fisiológicos como psicológicos resultam em grande número de ocorrências; ICAO chegou a esta conclusão ao analisar os relatórios de acidentes aeronáuticos ocorridos em todo o mundo que constituem lições caras para a aviação. Concluiu também, que medidas educativas estão entre as mais recomendadas para evitar que novos incidentes ocorram pelos mesmos motivos. Promover palestras e seminários relacionados com segurança de voo e factores humanos permite diminuir o desconhecimento que gera o aumento do risco.

Desde os primordios da aviação, a regulamentação aeronáutica sempre foi implementada com o intuito de promover a Segurança de Voo e dos Estados, mas, mesmo assim, sua aplicação pode ser feita de forma que boa parte da Segurança pretendida seja colocada em risco pois que um limite fisiológico ou psicológico ultrapassado uma única vez, poderá ser o suficiente para desencadear um acidente fatal.

Ao longo do tempo, o desenvolvimento da indústria aeronáutica, conforme testa a contribuição da Boeing, possibilitou a construção de aeronaves mais confiáveis, porem o elo mais critico do sistema permaneceu pouco alterado, o ser humano. Este, com suas limitações físicas e psíquicas, passou a ser responsável pela maior parte dos factores contribuintes e decisivos para a ocorrência dos acidentes.

Uma outra vertente de extrema importância é o suporte psicológico após acidente aeronáutico aos sobreviventes, familiares e à comunidade. Conhecido por Critical Incidente Stress Debriefing (CISD).

A ocorrência de um acidente aeronáutico afecta psicologicamente não apenas os sobreviventes, mas também os familiares das vítimas, toda a família aeronáutica, e profissionais que actuam no resgate e atendimento de emergência no local do acidente.

Sabe-se que um evento traumático pode provocar reacções emocionais, sinais físicos de ordem variada, desequilíbrio nos contactos sociais, e sentimentos de impropriedade e vazio espiritual. Tais aspectos podem também interferir nas habilidades normais de desempenho de uma actividade, imediatamente após a ocorrência, horas, dias ou anos. Nesse sentido, segundo “Yalom” o factor de cura mais significativo é a interacção, cooperação, identificação e ajuda mutua no seio da comunidade. Passa por deixarmos de ter pruridos na análise dos acidentes. Sem acusações, ou processos de culpas, mas com firmeza. A visita ao hangar do GPIAA, é pertinente.

O momento que vivemos é pleno de desafios, é necessário alimentar os sonhos, e concretizá-los dia-a-dia, no horizonte de novos tempos.

 

Paulo Cunha

Presidente APAU"

 

É PRECISO AGIR RÁPIDO
Com razoabilidade e sensatez , mantendo como âncoras : 
Segurança de voo ( salvaguarda de vidas humanas )
Viabilizar ( muito importante ) a aviação UL com as características de simplicidade e auto-declarativa .
É imperativo " auto-avaliar " as fragilidades do sistema ( legislação / conformidade e operacionalidade de pistas / conformidade de estruturas formativas / competência de Instrutores e Examinadores / figura do responsável de pista .
Não é por falta de regulamentação que a modalidade está desenquadrada , nesse campo estamos bem ( pode ser " afinada " em alguns pontos ) .
Temos é de voltar a ser HUMILDES , de banir a ignorância .
Esta aviação está rodeada de um ego desmedido !
Excesso de confiança irresponsável !
" temos " muitos " pilotos " de testes e de demonstração !
" todos " sabem apresentar um avião em público !
" todos " sabem voar o seu avião no limite !
Querendo que estas estatísticas de acidentes/incidentes diminuam ( zero , infelizmente sabendo de que há factores que não podemos controlar " mão de Deus " ) , temos de auditar toda a cadeia !
Não abrir mão da cultura aeronáutica , reforçar a formação da temática factores humanos , melhor instrução e sensibilização é sem dúvida o grande passo a dar para a solução .
Nunca adotar a postura que já nada nos surpreende , temos de respeitar os aviões que tantas alegrias e prazer nos dão , têm de voltar a ser uma máquina de fazer sorrisos e não um caixão !
A nossa comunidade aeronáutica é composta por " players " ( escolas ,examinadores , instrutores , pilotos , aluno-pilotos , mecânicos , ... ) gente séria com grande valia que sofrem ao ver a sua família aeronáutica denegrida e em luto .
A Direção da APAU , apoiada pelo Gabinete de Apoio ao Presidente de Direção ( composta por ex-Presidentes )e na consulta de opiniões e pareceres , bem como em parceria com o GPIAA , vai oportunamente apresentar as suas conclusões e recomendações .
Assim , dou conhecimento aos associados APAU e à comunidade de que a Direção da APAU está em fase de recolha de dados , reuniões com entidades oficiais afim de ultimar recomendações não só neste tema bem como por ex. no processo de certificado de aeronaves e outros .

Ao vosso serviço

 

Paulo Cunha

MEMORIAL AO PILOTO EVORAAeródromo Municipal de Évora

27 de junho 2015

Com as identidades Civis e Militares presentes, a comunidade aeronautica e a população reuniram-se à volta do monumento que vai perpetuar a memória do todos os pilotos que já partiram.

A aévora -Associação Aeronáutica de Évora, deu vida ao projeto e,  familiares, pilotos e amigos, marcaram presença. 

A APAU - Associação Portuguesa de Aviação Ultraleve esteve presente, tendo organizado para os seus associados, um FlyIn até Évora para a cerimônia.  

 

 

Guilhermino Pinto/APAU

VA2015meteoDevido à forte probabilidade de instabilidade meteorológica no Centro e Norte do País nas datas agendadas para a VOLTA APAU 2015, porque a Segurança Aeronáutica está e estará sempre me primeiro lugar e ainda por se tratar de uma movimentação massiva de Aeronaves, a Direcção da APAU decidiu cancelar o evento para as datas previstas.

Esta decisão não foi de todo tomada de animo leve pela Direção da APAU, tendo sido suportada pela consulta de várias fontes meteorológicas bem como de profissionais da área.

 

 

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